Sunday, 23 January 2011

De volta à escrita pensante

Urge-me escrever. Não por uma qualquer necessidade de desabafar mas sim por uma necessidade de partilhar. Perdemos a época dos Pensadores algures no meio deste turbilhão tecnológico, onde a maioria das pessoas gosta de comentar mas receia pensar. Fácil tornou-se comentar, ao sabor de um telefonema rápido ou de uma frase no twitter. Pensar é algo mais estruturado, tem visão de passado, de presente e projecta-se no futuro. É algo de consequente e visa a sua consequência. O pensamento autonomiza-se do pensador. Assim deve ser. Um Pensador não deve querer agarrar-se às ideias, deve partilhá-las, sem grandes preconceitos. Existe demasiada arrogância no pensamento, daí alguma solidão. Haverá, também, uma certa dose de cobardia em todos nós quando comentamos sem pensar, apenas com base na intuição. O comentário baseia-se, muitas vezes, numa intuição acertada mas quando é inconsequente, tanto o comentador como o comentário tornam-se cobardes e vítimas dua sua própria presunção.


Todos os dias aprendo uma ou várias lições com a vida. Esta é uma ideia cliché, bem sei, todos nós aprendemos com a vida. O que reparo é que tenho uma tendência para sistematizar aquilo que aprendo e daí tirar uma ou várias lições de vida, lições genéricas que podem voltar a ser aplicadas em situações semelhantes, tanto por mim como por qualquer outra pessoa.


E por isto escrevo neste blogue, na esperança que alguém leia sem grande compromisso e pense comigo. Gosto de partilhar pensamentos. Não gosto especialmente de discutir cegamente. Discute-se demais, respeita-se de menos. Adoro a sensação de ouvir a opinião de outra pessoa e de respeitá-la. Gosto de saber que existem pontos de vista diferentes sobre a mesma coisa. É claro. O sabor do respeito é a sensação de conforto que nos dá. Ouvir e ser ouvido implica aceitar que as nossas opiniões não irão sempre vencer, no entanto, não significa que não possam vir a vencer. A cobardia do comentador também se sente neste episódio. O seu não comprometimento permite que nunca saia derrotado, ao invés, cria a sensação de que pode sempre saír vencedor. O comentador é aquele que diz ter avisado quando acontecem problemas e diz ter previsto os sucessos. O comentador é o maior.


O pensador é aquele que arrisca. É aquele que estrutura uma ideia, a arruma e a transmite aos outros, de peito cheio. O Pensador é um empresário das ideias. Cria uma ideia, desenvolve-a e espera que tenha sucesso. Se falhar, o Pensador cai com ela. Se tiver sucesso, o Pensador cresce. Enfim, o Pensador arrisca e não tem de picar o ponto. O Pensador vive e convive com as suas ideias as horas todas em que existe, não consegue descansar.


O comentador, por seu turno...oh, esse termina o seu comentário e fica feliz da vida, sem grandes preocupações, pelo menos de uma forma aparente. É que a irresponsabilidade e o não comprometimento com as ideias não traz qualquer liberdade. É mais fácil ser treinador de bancada mas quantas vozes seriam capazes de comandar uma equipa?


E por isto vou começar a escrever neste blogue. Porque acho que posso e devo partilhar alguns pensamentos que vão surgindo. Podem ser completamente desinteressantes ou podem ser temas de partilha.


Peço ao leitor que Pense comigo. Esqueçam os “Grandes Pensadores” pois esses são Grandes numa análise posterior. Até serem denominados de Grandes, também eles foram pensadores pequenos, como eu e como o leitor. Se tem um pensamento discordante, se achar que não digo nada de valioso, então partilhe o seu pensamento comigo, assim poderei aprender algo de novo ou reforçarei o meu pensamento inicial, quem sabe.

1 comments:

  1. "O pensamento autonomiza-se do pensador" - ou não será o contrário? Não se autonomiza o pensador do pensamento, quando se liberta dele, vai para além dele, progride para além do último limite criado?

    ReplyDelete