Põe-se uma questão ainda mais interessante: como distinguir as zonas de desconforto das áreas de tédio? O tédio não é desconfortável? Eu detesto o tédio e sinto-me mal nas zonas de desconforto.
Tenho lidado com alguns desafios que se encontram nesta fronteira. Penso que se pode chegar a uma zona em que o tédio é a própria zona de desconforto. No entanto questiono-me se encarar o tédio como um deafio, como uma área de desconforto, não é apenas uma prova de masoquismo que deve ser abandonada?
Outra questão que se põe é se o masoquismo se encontra na forma como se lida com o tédio ou se, porventura, o masoquismo está na forma como lidamos com a situação, de tal maneira que nos levamos a sentir tédio por não saber lidar com a situação.
Na verdade, queria sentir menos tédio, mais novidade. É isto, mais novidade!
O segredo reside na questão da novidade. O contrário da felicidade não é infelicidade. Isso não existe. A ausência de infelicidade é o tédio, o aborrecimento. Portanto, em situações que nos encontramos presos por falta de alternativa, devemos rasgar o tédio com a novidade, criar a diferença na rotina instalada, alterar os padrões com que avaliamos a situação. Procurar os pontos fortes e positivos e reforçá-los, minimar as partes entediantes e criar coisas novas no espaço que sobra.
Ser empreendedor é um estado de espírito e o primeiro a ser liderado somos nós próprios. O tédio é, muitas vezes, da responsabilidade de quem...é responsável (pela situação). Assim sendo, aquele que sente tédio deve encontrar o poder que tem para reformular a situação que criou ou com a qual tem de lidar e, assim, reinventar-se.
Dito isto, a altura é de reorganizar a agenda. Minimizar as tarefas (porque a maioria resolve-se por si mesma), focar nas coisas importantes e que realmente interessam para o projecto e pensar como saborear a vida com novidade.
"Penso que se pode chegar a uma zona em que o tédio é a própria zona de desconforto. No entanto questiono-me se encarar o tédio como um deafio, como uma área de desconforto, não é apenas uma prova de masoquismo que deve ser abandonada?"
ReplyDeleteSerá para ti, eventualmente, pelo incomodo que o tédio te causa. No entanto, permite-me discordar: não me parece uma forma de masoquismo. Aliás...
"Outra questão que se põe é se o masoquismo se encontra na forma como se lida com o tédio ou se, porventura, o masoquismo está na forma como lidamos com a situação, de tal maneira que nos levamos a sentir tédio por não saber lidar com a situação"
O masoquismo não estaria nunca na forma como se lida com o tédio. No limite, estaria na forma como lidamos com a situação. Mas, mais uma vez, essa perspectiva aplica-se bem à "dor" que o tédio te pode causar - normalmente, para quem se sente bem no tédio ou na zona de conforto (ou vice-versa dependendo se o que apareceu primeiro foi o ovo ou a galinha)essa dor, essa frustração, essa necessidade de agir não surge nem urge. E, sem dor, não há masoquismo. Só tédio, muito tédio. Porque sem dor, para alguns (lá está, os masoquistas) não há amor, sensação, excitação. E sem amor, não há nada - nem zonas de conforto porque não se conhece o conforto de ser amado.
Conclusão: só através da dor aparece o masoquista - ou o sádico, sabe-se lá. Curioso tu associares a masoquismo algo que, para alguns ou até mesmo para a maioria, não é dor mas sim prazer: pouco ser e nada fazer. Entediantemente, existindo apenas.