“Professor, o que faria se alguém o atacasse com uma faca?”
“Procurava a melhor forma de fugir”.
O aluno permanece num misto de desilução e de desorientação. “Então o meu Professor é um medricas, que foge de uma situação destas?” pensa ele. “Não deveria ele dar uma coça ao agressor?”
Sem saber o que pensar, o aluno finta o Professor à busca de uma resposta mais condizente com aquilo que era suposto...
Sentido a sua ansiedade, o Professor responde:
“Caro aluno, eu não me quero cortar com uma faca, quero voltar para casa sempre que puder. Se tiver uma saída em segurança, essa será a minha primeira e única opção”.
Pausando um pouco para persentir a compreensão do aluno, continua:
“Sabe, caro aluno, aquilo que para si é uma vergonha, para mim é uma decisão sensata.Eu não tenho vergonha de fugir.”
Ouvindo tais palavras, o aluno acalma a sua ansiedade e toma o seu tempo para ouvir:
“Eu não tenho nada a provar a uma pessoa dessas. Um agressor tem uma só finalidade, a de me agredir, ele não procura conhecer-me. Aquilo que ele pensa ou deixa de pensar sobre mim é-me irrelevante.”
Parando para medir bem as suas palavras, o Professor insiste:
Eu procuro provar-me perante as situações importantes da Vida. Perante as decisões difíceis, perante aqueles que contam comigo e perante as mais pequenas e aparentemente insignifcantes atitudes do dia-a-dia. São esses momentos que mostram quem somos. Agredir um agressor quando existe uma possibilidade de fuga só revela a minha necessidade de afirmação.Por isto, a decisão importante quando se é ameaçado é ficar seguro...fugir é, sem dúvida, a melhor opção”.
O aluno esboça um leve sorriso como que rindo do pensamento que o levou até ali e, naquele momento, compreendeu porque treinava artes marciais.
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